segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Amar É Compartilhar Felicidade!

Amar É Compartilhar Felicidade!A psicanálise, por ser um método de investigação dos processos mentais, nos fornece uma preciosa contribuição no que diz respeito ao tratamento das desordens emocionais. Nesse sentido, na fase infantil quando mãe e pai biológicos (ou substitutos) são referências máximas na futura definição de perfis masculino e feminino, distúrbios psíquicos podem interferir nas relações afetivas do filho adulto.

À propósito da escolha de perfis, desde traços físicos e fisionômicos até o temperamento do pai ou da mãe ocorre num nível inconsciente. E uma situação corriqueira, que exemplifica tal afirmativa, é o da escolha que “surpreende”, ou seja, entre pretendentes mais interessantes sob o ponto de vista estético ou financeiro, o filho ou filha escolhe justamente aquele(a) que familiares ou amigos não entendem os motivos…

Na verdade, quando escolhemos o parceiro ou a parceira para um compromisso sério, estamos depositando naquele indivíduo, expectativas de que o suprimento de amor do qual necessitamos seja contemplado nessa relação. No entanto, esse “suprimento” que representa as nossas carências afetivas, não inicia na nova relação com o sexo oposto, mas a continuidade do histórico de relações com as figuras materna e paterna que são transferidas para a atual relação.

As carências afetivas, portanto, tornam-se transferenciais, isto é, passam do pai ou da mãe para aquela mulher ou aquele homem cujas expectativas de suprimento que restou do passado, alimentamos inconscientemente.

Em suma: parceiro não é pai, mas tem que ser um pouco “pai”. Parceira não é mãe, mas deve ser um pouco “mãe”. Caso contrário, sentimentos não resolvidos com as figuras referenciais da infância, podem emergir com a energia das emoções desequilibradas que acabam por afetar a qualidade do relacionamento.

E quando a qualidade da relação deteriora é sintoma de que a gratificação afetiva -ou suprimento- não satisfaz as expectativas inconscientes, ou seja, o relacionamento repete o padrão do passado onde os traumas psíquicos (rejeição, ausência, abandono, etc.) que se tornaram crônicos em forma de psiconeuroses, começam a mexer com as emoções e a desgastar o relacionamento.

Portanto, o mais importante nas relações afetivas adultas é ambos encontrarem o ponto de equilíbrio entre a demanda afetiva do passado e a necessidade de suprimento do presente. Não esquecendo, que não basta ser um pouco mãe ou pai se o inerente desejo sexual não for contemplado pelo desempenho dos amantes…

Invariavelmente, o relacionamento íntimo -e sério- entre duas pessoas, envolve a fusão de carências afetivas, desejos e expectativas de crescimento pessoal e mútuo. E na ânsia de preencher o vazio de amor que ficou da relação com as figuras parentais da infância, o volume de energia que acompanha o envolvimento afetivo do casal, costuma gerar conflito de egos.

Se os envolvidos não tiverem um nível aceitável de conhecimento de si mesmos e do que o outro representa na relação, o envolvimento tende a fixar-se na demanda instintual (sexo), que apesar de ser importante no contexto geral, é apenas mais um ingrediente na qualidade do relacionamento.

Amar exige cumplicidade no sentido de compreender as carências que transitam numa relação amorosa. Ignorar é assumir um comportamento infantil ainda sintonizado ao passado. Por este motivo, o risco maior para a relação ocorre quando levamos para a proposta de crescimento mútuo e pessoal, os sentimentos negativos que transferem-se para o outrem em forma de processo obsessivo e asfixiante para ambos, como a dependência afetiva e o ciúme patológico, entre outros.

Quanto mais estivermos focados numa relação afetiva estável, mais libertos estaremos da sintonia do passado para assumirmos a condição de adultos que encaram o amor como uma forma de buscar a completude e a felicidade. Sob a ótica psicanalítica da alma, as experiências servem de aprendizado. E, a partir do momento vital que compartilhamos a felicidade em um relacionamento afetivo estável e de qualidade, tal experiência é inserida à nossa memória extracerebral (periespiritual) e ao nosso conhecimento, aprimorando, dessa forma, a nossa sensibilidade para o amor e alterando o modelo comportamental que nos acompanha há muitas vivências.

Uma vez “quebrado” esse paradigma comportamental pela gratificante experiência afetiva de uma única vida (aprendizado), e a partir de uma visão mais abrangente do amor, o ser imortal torna-se preparado para novas relações afetivas que envolvam a transparência e a leveza da felicidade compartilhada. Flávio Bastos – flaviolgb@terra.com.br-www.flaviobastos.com


Postado em 15 de setembro de 2011 ·por Profª. Rita Alonso - a Toques Motivacional