quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Estação Primavera


Pouco importa em que fase da vida estejamos.

As estações que se renovam nos dão a sábia

oportunidade de encontrarmos novas razões de viver

e encantamento pelas coisas simples que tecem a vida.



Primavera não é apenas tempo de mais borboletas,

trinados de pássaros, desabrochar de flores

e de alergias causadas pelo pólen.

É estação para ressuscitar sonhos, dissolver

dissabores e estarmos atentos a novos amores.



É tempo também de abrir janelas e deixar

que mais vida e mais luz entrem por elas.

E por que não, tempo também de transformar

textos, sob o pretexto de dar um toque extra

de prosa no que deveria ter sido poesia ?



Primavera chegando ...

E você, já experimentou usar flores e folhas para pintar?

E também convidar crianças para entrar na brincadeira?

Vai estragar o jardim ?

As flores duram alguns dias, muito tempo dura a

amizade, o aprendizado e a alegria.



Hei! Estação nova chegando! Vamos lá!

Na primavera, que tal mudar a forma de pintar ?

É isso mesmo! Sugiro aproveitar pétalas de flores,

folhas, vegetais, terra e outras cores naturais, fáceis de encontrar.



Recolha também juras de amor sob a lua cheia,

mãos entrelaçadas de namorados a caminhar na areia.

Resgate sonhos antigos, planos e ilusões até.

Experimente uma iluminada idéia, com toques de fé.



Junte fragmentos de angústia, cacos de dor e

dê realce à pintura, com a cor complementar.

Pegue aqueles tons suaves de ternura e paz,

algum filete de fonte cristalina que a sede desfaz.

Vá com calma, construa seu caminho com arte,

as pegadas serão seguidas, mesmo que em parte.



Solte a voz, cante para o sol, mesmo desafinado.

Poderá acompanhar você, um coral, em trinados.

Plante sementes de alegria, vida e esperança.

Perdoe, é possível, e ajude a curar lembranças.

Quem sabe, uma poda aqui, outra ali, faz parte.

Mas que seja com carinho e um pouco de arte.



Vamos lá, mude a forma de pintar!

Que tal, uns riscos e rabiscos de poetar?

Para mim, poema-primavera é assim:

Uma braçada multicor de belas flores colhidas

no jardim e nas estradas da vida,

que a gente vai contemplando e ajeitando.

No desejo de que fique o mais correto,

envolvemos amores e amarramos flores

com fitas generosas de cuidados e afeto.



Zuleides Andrade