sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Flores Silvestre

Flores Silvestre


Casemiro Cunha





Já viste, filho, a floresta

Varrida pelas tormentas?

Partem-se troncos anosos,

Caem copas opulentas.



Mil árvores grandiosas

Esfacelam-se nos ares,

Tombam gigantes da selva,

Venerandos, seculares.



Mas as florinhas silvestres

São apenas balouçadas,

Continuando graciosas

A tapetar as estradas.



Zune o vento? geme a selva?

Não sabe a pequena flor,

Que perfumando o caminho

Compõe um hino de amor.



Flores silvestres!... Imagem

Dos bons e dos pequeninos,

Que sobre o mundo derramam

As graças dos dons divinos.



Na selva da vida humana

Caem grandes, poderosos:

Arcas repletas de ouro,

E frontes ébrias de gozos.



Mas, os humildes da Terra,

Dentro da fé que os conduz,

Não caem... São refletores

Da bondade de Jesus.



Flores silvestres da Vida,

Não sabem se há tempestade

De ambições e se há no mundo

Leis de ódio e de iniquidade.



Nos dias mais tormentosos,

Sê, filho, como esta flor:

Chore o homem, grite o mundo,

Palmilha a estrada do amor!





(Do livro "Parnaso de Além-Túmulo", Francisco Cândido Xavier)