Pensar é um grande exercício mental, que pode
contribuir para muitos progressos.
Mas como tudo na vida é relativo, pensar pode ajudar a
prejudicar, também.
Conversa de louco, eu sei, mas é assim que vivem
certos profissionais.
Afirmam e depois negam.
Podemos incluir os psicólogos e
psiquiatras.
Esses profissionais ajudaram muitas pessoas a superar
decepções e outros tipos de problemas.
Com o passar do tempo, quiseram ter uma participação
mais ativa na vida alheia e passaram fazer laboratório com a cabeça dos
pacientes, passaram colocar insegurança onde havia certeza e maiores conflitos
no que era relativamente simples.
Dessa forma, conseguiram clientes por toda a vida e
não ajudaram a resolver nada.
Passaram a transmitir para seus clientes, de forma
sutil, seus pensamentos, suas convicções. conceitos, preconceitos,
etc.
Interferiram na personalidade alheia impondo, muitas
vezes, qualidade duvidosa.
Quando fui, como aluno, para a aula inaugural no curso
de Psicologia, todos foram reunidos no auditório e cada professor deu a sua
mensagem.
Tendo em vista a minha diferença de idade em relação
aos demais, para não despertar curiosidade, fiquei no fundo, próximo à
parede.
Um dos professores, resolveu descer do palco quando
discursava e sem disfarçar muito, foi para o meu canto, quebrou o protocolo e me
fez uma pergunta:
- Por que razão vc decidiu estudar
Psicologia?
Imediatamente respondi:
Isso é uma discriminação?
Ele riu e todos o acompanharam.
Feito o silêncio, a pergunta foi renovada e eu agi da
mesma forma, porque queria que ele percebesse que não havia tido o menor cuidado
em me preservar de eventual travamento, inibição, despreparo para enfrentar a
situação.
Novos risos e a pergunta ficou no ar.
Já no fim do primeiro semestre, um professor afirmou
que todos são invejosos.
Ouvi
atentamente os argumentos que levaram trinta minutos da aula e depois,
respeitosamente, expliquei que os argumentos não haviam me convencido, até
porque, sendo eu uma pessoa comum e de origem muito carente, nunca havia tido a
sensação da inveja e, assim como eu, certamente muita gente.
Potencialmente, somos tudo.
Isso foi
suficiente para que ele se perdesse e perdesse a linha, provocando a revolta da
classe.
Posto isto,
vamos à frase da psicóloga do dia:
Todos nós julgamos várias vezes por dia,
mesmo os que não têm a função de julgar.
Julgar é formar uma convicção formada, mercê
de certos elementos.
Cada um terá a sensação de poder, mercê da
sua formação, educação e dos princípios.
Assim, concluo que a profissional não foi
feliz na sua explanação.
Um
juiz pode julgar várias pessoas, mas um político, adotando-se o raciocínio
daquela profissional, tem uma sensação de poder milhões de vezes multiplicada,
ao exercer a função executiva numa cidade ou estado.
Mesmo um legislador, ao ver aprovado seu
projeto de lei, pode sentir que obrigará milhões de pessoas a se submeterem à
vontade dele.
Em
alguns caso pode ser verdade para alguns magistrados, como também em relação a
certos políticos.
Nem
por isso temos o direito de tomar isso como regra.
Seria oportuno que a psicóloga esclarecesse
melhor, para que interpretações precipitadas e pouco esclarecidas não formassem
uma imagem deturpada das coisas.
Se
a profissional fosse um pouco mais fundo na questão, poderia concluir que a
missão do magistrado ou do político, abraçada com responsabilidade, não serve
para dar sensação de poder, mas sim para obrigar a cada um buscar , com muito
critério, com muita técnica a melhor solução para cada caso, sob pena de
carregar pelo resto da vida o peso da irresponsabilidade e leviandade postas no
artigo.
Somente um irresponsável, ao julgar, daria
espaço para que a sensação de poder pudesse, de alguma forma, lhe
dominar.
Cleonio
Aguiar
Com
Você - em busca de um mundo mais justo 

