A DOR E OS SOFRIMENTOS
Tudo que existe neste mundo, natureza, animal, homem, sofre e, todavia, o amor é a lei do Universo e por amor e sapiência foi que o Grande Foco (Força Criadora) formou os seres. Contradição aparentemente horrível, problema angustioso, que perdurou tantos pensadores e os levou à dúvida e ao pessimismo.
A dor e prazer são as duas formas extremas da sensação. Para suprimir uma ou outra seria preciso suprimir a sensibilidade. São, pois, inseparáveis em princípio e ambos necessários à educação do ser, que, em sua evolução, deve experimentar todas as formas ilimitadas, tanto do prazer como da dor.
A dor física produz sensações, o sofrimento moral produz sentimentos, no entanto, sensação e sentimento confundem-se e são uma só e mesma coisa. O prazer e a dor estão muito menos nas coisas externas do que em nós mesmos, incumbe, pois, a cada um de nós, regulando suas sensações, disciplinando seus sentimentos, dominar umas e outras e limitar-lhes os efeitos.
É muito difícil fazer entender aos homens que o sofrimento é bom. Cada qual queria refazer e embelezar a vida à sua vontade, adorná-las com todos os deleites, sem pensar que não há bem sem dor, ascensão sem suores e esforços, não devemos confundir isto com masoquismo. A tristeza e o sofrimento fazem-nos ver, ouvir, sentir mil coisas, delicadas ou fortes, que o homem feliz ou o homem vulgar não podem perceber. Obscurece-se o mundo material, desenha-se outro, vagamente a princípio, mas que cada vez se tornará mais distinto, à medida que as nossas vistas se desprenderem das coisas inferiores e mergulharem no ilimitado.
O gênio não é somente o resultado de trabalhos seculares, é também a apoteose, o coração de sofrimento. De Homero a Dante, a Camões, a Tarso, a Milton, todos os grandes homens, como eles, têm sofrido. É na dor que mais sobressaem os cânticos da alma. Quando ela atinge as profundezas do ser, faz de lá saírem os gritos eloqüentes, os poderosos apelos que comovem e arrastam multidões. Se pudéssemos suprimir a dor, suprimiremos o que é de mais digno de admiração neste mundo, isto é, a coragem de suportá-la. O mais nobre ensinamento que se pode apresentar aos homens não é a memória daqueles que sofreram e morreram pela verdade e pela justiça? Nada iguala o poder moral que daí provém. Os espíritos que deram tais exemplos avultam aos nossos olhos com os séculos e parecem, de longe, mais imponentes ainda, são outras tantas fontes de força e beleza onde vão retemperar-se as gerações.
A história do mundo não é outra coisa mais que a sagração do espírito pela dor. Sem ela, não pode haver virtude completa, nem glória imperecível.
Voltaire dizia: “A felicidade é salutar para o corpo, mas só o sofrimento é que fortalece o espírito”.
Michelangelo adotara como norma de proceder os preceitos seguintes: “Concentra-te e faze como o escultor faz à obra que quer aformosear. Tira o supérfluo, aclara o obscuro, difunde a luz por tudo e não largues o cinzel”.
Nosso espírito é nossa obra, com efeito, obra fecunda, que sobrepuja em grandeza todas as manifestações parciais da Arte, da Ciência e do gênio. Por isso podemos ter uma vida também feliz, lógico que é uma felicidade relativa, mas não devemos deixar de procurá-la e almejá-la, pois a vida não é somente de sofrimentos. Mas quando ele aparece, devemos entendê-lo dentro das leis de causas e efeitos e ao invés de nos lastimarmos, erguer a cabeça, olhar para frente e continuar o nosso caminho em direção a Luz.
(Leon Denis)
León Denis nasceu na França, em 1º de Janeiro de 1846, numa localidade chamada Foug, na região da Alsácia Lorena, iniciando uma vida exemplar, na qual desde a mais tenra infância conheceu as dificuldades materiais, o trabalho árduo, mas também coisas belas, as quais soube apreciar e valorizar: o aconchego familiar, as belezas naturais e os tesouros da civilização de seu país, as maravilhosas revelações contidas nos livros que, embora de difícil acesso para o jovem operário, lhe traziam conhecimentos que o deslumbravam e lhe proporcionavam "viagens" pelo mundo, pelos espaços infinitos, pelas riquezas inestimáveis do pensamento humano.
Tudo que existe neste mundo, natureza, animal, homem, sofre e, todavia, o amor é a lei do Universo e por amor e sapiência foi que o Grande Foco (Força Criadora) formou os seres. Contradição aparentemente horrível, problema angustioso, que perdurou tantos pensadores e os levou à dúvida e ao pessimismo.
A dor e prazer são as duas formas extremas da sensação. Para suprimir uma ou outra seria preciso suprimir a sensibilidade. São, pois, inseparáveis em princípio e ambos necessários à educação do ser, que, em sua evolução, deve experimentar todas as formas ilimitadas, tanto do prazer como da dor.
A dor física produz sensações, o sofrimento moral produz sentimentos, no entanto, sensação e sentimento confundem-se e são uma só e mesma coisa. O prazer e a dor estão muito menos nas coisas externas do que em nós mesmos, incumbe, pois, a cada um de nós, regulando suas sensações, disciplinando seus sentimentos, dominar umas e outras e limitar-lhes os efeitos.
É muito difícil fazer entender aos homens que o sofrimento é bom. Cada qual queria refazer e embelezar a vida à sua vontade, adorná-las com todos os deleites, sem pensar que não há bem sem dor, ascensão sem suores e esforços, não devemos confundir isto com masoquismo. A tristeza e o sofrimento fazem-nos ver, ouvir, sentir mil coisas, delicadas ou fortes, que o homem feliz ou o homem vulgar não podem perceber. Obscurece-se o mundo material, desenha-se outro, vagamente a princípio, mas que cada vez se tornará mais distinto, à medida que as nossas vistas se desprenderem das coisas inferiores e mergulharem no ilimitado.
O gênio não é somente o resultado de trabalhos seculares, é também a apoteose, o coração de sofrimento. De Homero a Dante, a Camões, a Tarso, a Milton, todos os grandes homens, como eles, têm sofrido. É na dor que mais sobressaem os cânticos da alma. Quando ela atinge as profundezas do ser, faz de lá saírem os gritos eloqüentes, os poderosos apelos que comovem e arrastam multidões. Se pudéssemos suprimir a dor, suprimiremos o que é de mais digno de admiração neste mundo, isto é, a coragem de suportá-la. O mais nobre ensinamento que se pode apresentar aos homens não é a memória daqueles que sofreram e morreram pela verdade e pela justiça? Nada iguala o poder moral que daí provém. Os espíritos que deram tais exemplos avultam aos nossos olhos com os séculos e parecem, de longe, mais imponentes ainda, são outras tantas fontes de força e beleza onde vão retemperar-se as gerações.
A história do mundo não é outra coisa mais que a sagração do espírito pela dor. Sem ela, não pode haver virtude completa, nem glória imperecível.
Voltaire dizia: “A felicidade é salutar para o corpo, mas só o sofrimento é que fortalece o espírito”.
Michelangelo adotara como norma de proceder os preceitos seguintes: “Concentra-te e faze como o escultor faz à obra que quer aformosear. Tira o supérfluo, aclara o obscuro, difunde a luz por tudo e não largues o cinzel”.
Nosso espírito é nossa obra, com efeito, obra fecunda, que sobrepuja em grandeza todas as manifestações parciais da Arte, da Ciência e do gênio. Por isso podemos ter uma vida também feliz, lógico que é uma felicidade relativa, mas não devemos deixar de procurá-la e almejá-la, pois a vida não é somente de sofrimentos. Mas quando ele aparece, devemos entendê-lo dentro das leis de causas e efeitos e ao invés de nos lastimarmos, erguer a cabeça, olhar para frente e continuar o nosso caminho em direção a Luz.
(Leon Denis)
León Denis nasceu na França, em 1º de Janeiro de 1846, numa localidade chamada Foug, na região da Alsácia Lorena, iniciando uma vida exemplar, na qual desde a mais tenra infância conheceu as dificuldades materiais, o trabalho árduo, mas também coisas belas, as quais soube apreciar e valorizar: o aconchego familiar, as belezas naturais e os tesouros da civilização de seu país, as maravilhosas revelações contidas nos livros que, embora de difícil acesso para o jovem operário, lhe traziam conhecimentos que o deslumbravam e lhe proporcionavam "viagens" pelo mundo, pelos espaços infinitos, pelas riquezas inestimáveis do pensamento humano.

