domingo, 20 de novembro de 2011

EU SEI, MAS NÃO DEVIA


EU SEI, MAS NÃO DEVIA



Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.

A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.

... A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.

Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.



Marina Colasanti