quarta-feira, 2 de novembro de 2011

MORTOS

MORTOS








Vós que guardais dos mortos a lembrança,



Sois, também, nos espaços, recordados,



Nos eternos caminhos aureolados



Pelos clarões da bem-aventurança.







No país da verdade e da bonança



Nós ouvimos as súplicas e os brados



De pobres corações despedaçados,



No cadinho da mágoa ou da esperança;







Das vibrações ignotas das esferas,



Nós, que fomos os homens de outras eras,



Queremos mitigar a vossa dor.







Sois os mortos nos círculos da vida,



Nos supulcros de carne apodrecida,



Desejosos de paz, de luz, de amor.







João de Deus



(1830-1896)



Poeta português. Diz Mendes dos Remédios: “É um lírico inimitável e o mais espontâneo e genial burilador da poesia portuguesa. Nunca ninguém teve a arte de dizer coisas mais belas em frases tão simples.”



Obras: Flores do Campo – Ramo de Flores – Folhas Soltas – Cartilha Maternal - e outras







Livro: Lira Imortal



Francisco Cândido Xavier, por Espíritos Diversos



LAKE – Livraria Allan Kardec Editora



Para mudar o mundo é preciso mudar a si mesmo.