domingo, 25 de setembro de 2011

O SÁBIO E A VAQUINHA

O SÁBIO E A VAQUINHA










Contam que um velho sábio peregrino estava caminhando com seu discípulo

pelas pradarias da velha China.

Por dias eles caminhavam sem encontrar o menor sinal de civilização,

nenhum rio ou qualquer vegetação de onde pudessem tirar alimentos.

Muito ao longe, tiveram a impressão de avistar um pequena casa e

passaram a seguir naquela direção. Chegaram a uma cabana de madeira,

pararam e calmamente começaram a bater com as palmas das mãos na esperança

de serem atendidos. Logo um velho senhor apareceu. Sua pele era queimada e

muito curtida pelo sol. As mãos pareciam fortes como as mãos de alguém que

preenchia seus dias inteiros com trabalhos pesados. Ao seu lado,

timidamente surgiu um menino que espiava curioso. .

Os visitantes foram convidados a entrar. Lavaram-se em uma bacia com

moderada e limitada quantidade de água. Receberam leite, chá e queijo

enquanto conversavam com a dona da casa que aparecera para servi-los.

Na manhã seguinte, enquanto preparavam-se para a partida, o velho sábio

perguntou: " Há vários dias andamos por estas pradarias. Nada encontramos,

nada vimos. Como podem, vocês, sobreviver por aqui?

Serenamente o ancião explicou. Ali atrás da casa temos uma vaquinha.

Uma vez por semana, ando cerca de dez horas até um pequeno lago de água

empossada da curta época das chuvas. No lombo da vaca consigo trazer

vários galões de água. Com a água, nos lavamos e bebemos. Com o que sobra

regamos a pequena vegetação da qual a vaca se alimenta e uma pequena moita

de chá. Tiramos o leite e ainda aproveitamos para fazer queijo. Desta

maneira montamos nosso dia a dia.

Gratos, os andarilhos despediram-se a seguiram viagem. Passadas algumas

horas o sábio peregrino para e diz ao seu aprendiz:

"Volte àquela casa, sem ser visto, pegue a vaquinha e traga ela para

cá." Aparentemente desnorteado e questionando pela primeira vez a índole

de seu mestre o jovem obedeceu.

No dia seguinte cruzaram com alguns viajantes a quem o velho presenteou

com a vaca.O seu aprendiz nada compreendeu.

Alguns anos depois o jovem aprendiz tornara-se um peregrino solitário.

No meio de seu caminhar reconheceu a região pela qual, há muitos anos,

passara com seu mestre. Após alguns dias avistou o que pareceu ser uma

pequena vila. Ao chegar lá viu uma venda onde alguns viajantes comiam e

bebiam.

Sentou-se em uma mesa e pediu uma bebida. Entretido com seu lanche

pensou o que teria acontecido com aquela família da qual havia roubado a

vaquinha. Certamente haviam morrido todos sem alimentos e sem água.

Sentiu-se mal com o que fizera e cambaleou com uma rápida tontura. A moça

que servia a mesa aproximou-se rapidamente e perguntou se estava tudo bem.

O peregrino respondeu que sim e disse:

"Apenas me lembrei que neste local vivia uma família muito simpática e

bondosa. Dividiram comigo o pouco que tinham para se alimentar. Penso o

que terá acontecido com eles." A moça sorriu e encaminhou o visitante até

uma bela casa e explicou, aqui é a sede desta fazenda na qual o senhor

está. Por favor, entre e aguarde.

O homem aguardou em uma grande sala até que um senhor veio de uma dos

quartos. Espantado o andarilho reconheceu o senhor que o recebera em sua

pequena casa muitos anos antes. Cumprimentaram-se com alegria e o jovem

perguntou: " O que aconteceu?!" O velho senhor contou a história:

" Logo após a partida de vocês nossa querida vaca desapareceu

misteriosamente. Certos de que não poderíamos viver e buscar água sem ela

começamos a pensar em outras alternativas. Começamos a cavar em vários

locais até que encontramos, a cerca de duzentos metros de nossa casa, uma

nascente subterrânea. Com isto tínhamos água a vontade. Irrigamos a terra

e logo tínhamos muitas moitas de chá. Um mercador passou e ofereceu

sementes de alguns vegetais em troca de um pouco de chá. Aceitamos e

plantamos todos. Os viajantes passaram a saber que aqui tínhamos água e

vinham sempre para cá durante suas jornadas. Trocando alimento e chá por

outras coisas acabamos por montar uma bonita horta, uma estalagem e um

pequeno restaurante. Temos vinte cabeças de gado e toda a minha família

veio da cidade para trabalhar conosco.

O jovem sorriu aliviado. Não apenas tirara de seus ombros o peso por

ter roubado a vaca, mas entendera, enfim, a última grande lição de seu

mestre.

" Quando acreditamos que todos os nossos problemas estão resolvidos

acabamos por nos acomodar. O que nos parece a solução, pode ser o fim de

nosso crescimento”.







Recebi sem indicação da AUTORIA.